me mudei

Eu tentei, mas o Blogger é muito melhor. Em vários aspectos. Na real achei o WordPress free meio lamentável demais.

Então agora é:
arrabeus.blogspot.com

Cozy Furniture by Hannes Grebin

o Papa sabe o que diz II

Graças ao Papa Bento 16 hoje sabemos que Deus condenou o continente africano a ser dizimado pelo HIV e morrer miseravelmente doente.  A situação já é muito feia, muito. Essa dica do Sumo Pontífice de que a “camisinha agrava o problema da AIDS” veio na hora certa.

Mesmo assim, ainda tem gente que não entendeu o lance, que isso tudo vem de uma vontade maior, e de que nada adianta lutarmos contra:

Publicação médica acusa papa de ‘distorcer ciência’

Uma das publicações médicas com maior prestígio internacional, a The Lancet, acusou o papa Bento 16 de “distorcer a ciência” em seus comentários sobre a eficiência do uso de preservativo no combate à Aids.
(…)
“Não está claro se o erro do papa se deve à ignorância ou uma deliberada tentativa de manipular a ciência para apoiar a ideologia católica”, diz o editorial.

“Quando qualquer pessoa influente, seja uma figura política ou religiosa, faz uma declaração científica falsa que pode ser devastadora para a saúde de milhões de pessoas, elas devem se retratar ou corrigir o registro público.”

A revista afirma que qualquer coisa menor que uma retratação “seria um imenso desserviço ao público e defensores da saúde, inclusive milhares de católicos, que trabalham incansavelmente em vários países para tentar evitar que o HIV se espalhe”.

Vejam o absurdo. Que ponto chegamos. A revista tem a audácia de sugerir uma retratação. Como assim retratação, herege? Certamente nunca ouviram falar de Infabilidade Papal:

A infalibilidade papal, na teologia católica, consiste no dogma que afirma que o Papa, quando delibera e define (clarifica) solenemente algo em matéria de fé ou moral (os costumes), ex cathedra [1], está sempre correcto. Isto porque a Igreja acredita que, na definição destas matérias, o Papa goza de assistência sobrenatural do Espírito Santo, que o preserva de todo o erro. ( Wikipedia)

Desculpa aí seu Bento, deve ser difícil conviver com nosso condição de réles humano cheio de úvidas, ignorante e  falível-que-não-está-preservado-de-todo-erro.

Brevemente nos jornais:

Igreja desencoraja uso de coletes salvavidas
Equipamento aumenta risco de afogamentos, segundo Papa

Segurança no Trânsito: Papa é contra cinto de segurança e air-bags
“Eles não ajudam a salvar, pelo contrário, pioram a situação”, disse.

“Católicos deveriam evitar uso de paraquedas”
Papa afirmou que com ele o risco de morte é maior.

Camisinha agrava a AIDS
“[a AIDS] não pode ser derrotada pela distribuição de preservativos. Pelo contrário, eles só aumentam o problema.”, diz Papa. OPA. Essa já saiu.

o Papa sabe o que diz


Camisinha com imagem do Papa é lançada em Paris

Tenho admiração por “igrejas” e seus “chefões”, em especial a Igreja Católica e seus Papas. O Bento, como se sabe, é um grande sábio.

Defensor incansável da vida que é, Sua Santidade foi até África – de onde vem 75% das mortes por aids no mundo e onde 22 milhões vivem com HIV – para distribuir uma mensagem vinda diretamente de Deus para os africanos:  “[a AIDS] não pode ser derrotada pela distribuição de preservativos. Pelo contrário, eles só aumentam o problema.(fonte: blog do Noblat)

Uma homem de fé, um Santo entre nós. Nos traz essa mensagem Divina que ilumina esse assunto tão obscuro e pouco estudado, ao mesmo tempo que aponta uma solução viável para o problema: “a humanização da sexualidade”.

Ainda assim o Sumo Pontífice é afrontado com declarações desrespeitosas, que demonstram total desconhecimento sobre o assunto e falta de comprometimento com a vida dos outros:

A posição do Papa Bento XVI é absolutamente criminosa. Ela contesta estudos científicos da ONUSIDA e da OMS que foram divulgados amplamente e que referem que mais de 90% das infecções pelo HIV podem ser travadas pelo preservativo”
Ana Filgueiras, especialista em programas de prevenção do HIV-Sida (BBC)

Mas será o Benedicto?! Certamente será excomungada pela atitude irresponsável.

Vida longa ao Papa, que infelizmente não foi devorado por africanos selvagens, famintos e imundos no momento exato que pôs os pés no continente.

Pinguim na Cidade Baixa: nunca mais.

[Nota:Este post foi originalmente criado em 2009, mas já é 2013 e novas histórias de agressões continuam aparecendo nos comentários e em outros lugares da web que acabam linkando de volta este post. O espaço dos comentários está aberto para fazer relatos, dar a sua opinião, linkar outras histórias. Sempre com respeito e responsabilidade. De agressão e estupidez não precisamos mais.
Eventualmente também faço updates, no final do post.]

Tarde da noite, ao tentar entrar de carro na garagem me deparo com a seguinte cena: um jovem caído, tonto, com corte profundo na boca, de onde saía sangue. Várias pessoas na volta.

Assalto, briga de rua, incompatibilidade entre cheiração de cola e a lei da gravidade…

Não.

O rapaz tinha sido abatido com uma porrada na boca por um dos garçons-jagunço do bar Pinguim. E quando eu digo abater é porque (tinha acabado de acontecer) o rapaz ainda estava caído no chão, sem noção exata do que tinha acontecido, inclusive demorando a entender que o sangue saía dele mesmo, tamanha a violêncio do acontecido. O garçom correu atrás do cara, deu a porrada certeira, derrubou a vítima e a deixou estirada e sangrando, quando outras pessoas da garagem vieram socorrê-lo, e voltou tranquilamente para o bar. “Mais uma Polar chefia? Deixa pra mim!”.

O porquê da agressão. Um punhado de batatas fritas.

Sim, segundo o agredido, ao ver que algumas moças se preparavam para ir embora deixando boa parte da porção de batatas fritas, pediu para pegar algumas e foi atendido. Porém, ao que se sabe o garçom não aprovou a idéia, e se sentiu no direito de tomar a atitude que bem entendesse. A carar do garçom ao ver tudo de longe era uma mistura de despreso total e auto-afirmação. Juro que podia ouvir no olhar: “É, mandei bem.”

O garçom-leão-de-chácara era visivelmente mais forte e mais velho que o agredido, que aparentava ser um guri pra mim, mas que poderia ter entre 15 ou 20 anos, não saberia precisar.

Como se sabe, é inútil tentar dialogar com animais, especialmente os ferozes. Por isso evitamos (no plural porque a essa altura eu já me incluía no grupo de pessoas da cena interessadas em saber mais, no mínimo) tentamos o gerente. Depois de ignorados algumas vezes, com grosserias de outros atendentes, finalmente fomos atendidos por alguém que se identificou como o proprietário do bar.

Eu estava ali para ouvir o que o dono do bar teria a dizer sobre o ocorrido, que ele acabara de tomar conhecimento, inclusive. Realmente ele não tinha nada de minimamente inteligente a dizer, e em duas frases logo de cara já demonstrou sua postura de esperto: “é, vocês ficam pegando as coisas da mesa, daí acontece isso daí mesmo”. Notem que ele não tinha visto absolutamente nada, e sequer ainda tinha ouvido a parte onde o agredido falou que pediu antes de pegar.

Na verdade ele não estava nenhum um pouco interessado em nos ouvir ou dar uma posição de responsável sobre o estabelecimento, como se apresentou, e visivelmente dava como resolvida e bem encaminhada a situação que foi solucionada com uma agressão covarde na rua, na frente de várias testemunhas (eu cheguei logo após o acontecido, mas todos os garagistas e outras pessoas viram a cena).

Ele continuou: “em segundo lugar, porque tu não arranja um trabalho!?”. Nesse momento não me segurei e intervi, dizendo que pouco importava se ele trabalhava ou não, e sim o fato de ele ter sido abatido com um golpe, por um funcionário seu, e que ele era a vítima nesse momento, e precisava inclusive de um mínimo de cuidados médicos (pontos, certamente). Depois de muita réplica e tréplica, descobri que ele não era feroz, tampouco inteligente. Ele foi até o local falar com alguém recém agredido e ainda sangrando para humilhá-lo, desqualificá-lo e justificar a todo momento a atitude do garçom. Ele claramente defendeu a selvageria, apesar de negar que estivesse fazendo.

Foi um debate tão calmo quanto de alto nível. Sempre que um argumento meu o deixava sem saída, ele respondia com sabedoria: “se tá com pena, porque tu não adota ele?”. Um ignorante. Incapaz de alcançar que sua postura ridícula era totalmente incompatível com sua posição, que deveria ser de alguém que, com calma e paciência, reconheceria que houve, na melhor das hipóteses mínimas do universo, uma reação exagerada, violenta, desnecessária e inútil (afinal, ele esperava recuperar as batatas e oferecer a outros clientes?). Não só isso, multiplicou o problema com arrogância e prepotência, pois o agredido, seu amigo e todos que o ouviam simplesmente desistiram de qualquer tipo de conversa. A ignorância transbordava naquela imagem de anta bem vestida que tem um negócio muito lucrativo e não está nem aí pra nada.

A discussão descambou totalmente, até o ponto onde agredido e gerente trocaram ameaças de agressões futuras, ao que o gerente prontamente se posicionou “bate então! bate”. Um gentleman, um sábio.

Muitos “infelizmentes” na história toda, um que poderia ter feito grande diferença no final: o agredido não quiz esperar a Brigada Militar chegar, o que acabou realmente acontecendo alguns minutos depois. Poderia se fazer a ocorrência, e deixar a coisa seguir na linha da civilidade. Abriram mão de um direito, tamanha era a indignação e falta de vontade de permanecer e ser mais atingidos com tantas bobagens. Talvez doessem mais que um soco.
Claro que o gerente, sem a presença do agredido, contou uma linda história, onde um destemido funcionário se arriscou para defender as posses e os clientes do estabelecimento. Sem dúvida.

A verdade é que o dono do bar teve desde o início totdas as chances do mundo para resolver a situação de forma muito simples, sem custar nada e protegendo a imagem de seu estabelecimento. Não o fez, estragou tudo no momento que abriu a boca e deixou o dedão do pé construir seus pensamentos. Uma barbaridade, ainda mais porque os agredidos saíram aparentando que um dia irão se vingar. E se der uma merda grande por causa disso, e outras pessoas forem envolvidas, sabemremos quando e quem perdeu a oportunidade de evitar tudo.

Obviamente, de mim, de todos que estavam presentes e de todos os amigos e conhecidos destes que ouviram a história aquele bar não receberá nenhum tostão mais. Não por causa do garçom, nem da agressão talvez, mas por causa da atitude do gerente-dono.

Pouco me importa se isso realmente causará algum impacto ou não em suas finanças. Assim como pouco me importa se as batatas foram doadas ou surrupidas, sendo certo que elas iam para o lixo.  O que importa é que o meu dinheiro  (meu dinheirinho!) e minha presença jamais serão vistos ali.  E convido a todos a fazerem o mesmo.

Update: 27/03/09 20:49
Karina, nos comentários, lembrou de outro tipo de agressão acontecida no bar Pinguim da Cidade Baixa: homofobia (preconceito, discriminação e claro, agressão). Eu lembro quando essa história correu por aqui, e confesso que na época cheguei mesmo a duvidar, mas hoje não tenho nenhuma dúvida.  Resolvi pesquisar, e achei:

19.04.05 – Porto Alegre: Grupo SOMOS faz beijaço para protestar contra bar que atacou bissexual.

O grupo ativista SOMOS, de Porto Alegre, realiza nesta quarta-feira, 20/4, protesto em forma de beijaço na porta do bar que discriminou e espancou homem bissexual. Trata-se do bar Pingüim, localizado na esquina das ruas Lima e Silva e República, na Cidade Baixa. Em 24 de março, João Paulo Pontes, 22 anos, bissexual, beijou um homem e uma mulher em frente ao bar. Imediatamente seguranças e garçons do bar Pingüim se uniram para espancá-lo. Pontes levou três pontos na cabeça e deu queixa na polícia pelas agressões físicas e morais sofridas, no Departamento Médico Legal, da Polícia Civil. Gustavo Bernardes, advogado do grupo SOMOS Comunicação, Saúde e Sexualidade, lembra que no Rio Grande do Sul há uma lei específica que veda a discriminação por orientação sexual, além das leis brasileiras que permitem a expressão e a manifestação de afetividade em público e estabelecem penas para toda discriminação de homossexuais e bissexuais. Pontes afirma que a violência certamente não aconteceria se beijasse apenas uma mulher e está disposto a brigar na justiça se for o caso. “É necessário desvelar a hipocrisia da sociedade que trata heterossexuais de uma forma totalmente diferente de bissexuais ou homossexuais. Porque não posso beijar quem eu quiser na rua?”, desabafa Pontes.
fonte: Parou Tudo


Deve ser pura coincidência. Com certeza.

Update 2: 22/01/10
Adivinha! Mais coincidência.
Melissa Osterlund achou este post, me avisou por mail e postou em seu blog mais uma história sobre o mesmo tema: violência no Bar Pinguim, Cidade Baixa.
O post Garçom do bar Pinguim agrediu meu amigo porque nos negamos a pagar os 10% OPCIONAIS tem título auto explicativo, e colo um trecho abaixo:

(…)
Disse mais: “então não venham mais aqui”. Diante de tamanho absurdo, me dei ao direito pelo menos de chamá-lo de “infeliz”. Nisso, terminávamos de pagar (apenas o que consumimos) e DO NADA veio um soco, de outro garçom, na cara do meu amigo. Mal pude entender que não era o mesmo que nos atendia, na hora, porque vi de relance.
(…)

Update 3: 14/01/13Post no Facebook que tinha um link pra cá (peço licença à autora para colocar o conteúdo abaixo):
Post no Facebook de Rita Cavalcante.

Favor não alimentar Pinguim violento.

Estou desde ontem tentando digerir emocionalmente a situação a fim de escrever este relato.

Estávamos ontem (domingo, 13/01), perto das 18h, sentados na Livraria Multicultura (república esquina com comendador batista), quando fomos sobressaltados com o que parecia, do outro lado da rua, ser uma briga.

Levamos um segundo pra perceber que alguém apanhava. Mais um pra perceber que o brutamontes de camisa branca era um garçom do já famoso Bar e Restaurante Pinguim. O “cliente”, caído no chão, começou levando chutes e socos e, em seguida, teve a cabeça lançada sobre a parede do prédio.

Nesta altura, alguns de nós ligávamos pra polícia ou pra SAMU, outros corriam em direção ao espancamento – gritando, num gesto impensado (se algum de nós tivesse chegado perto teria apanhado, certamente), tentando interromper o que já havia ultrapassado a covardia: três garçons agredindo um homem caído.

A vítima, que tinha o rosto inchado e o supercílio direito com um corte grande, foi atendida pelos frequentadores e pela equipe do café, mas – muito transtornado – só chorava e repetia que havia enterrado a mãe naquele dia. Não conseguimos fazê-lo esperar para registrar ocorrência ou pra ser atendido, porque tampouco conseguimos contato com a SAMU ou a Brigada, cujas linhas se mantiveram ocupadas durante todo o tempo que durou o episódio.

Testemunhos pipocaram sobre os desmandes do estabelecimento: outros casos de violência (por causa de beijo homossexual, por desavenças em função da conta), empurrões que os trogloditas dão nos moradores que ousam atrapalhar o fluxo das mesas que ocupam toda a calçada.

Preocupados em atender a vítima, não tiramos fotos, não gravamos imagens. Mas não somos cegos, não somos mudos. Decidimos usar as redes sociais para fazer do discurso, ação. Se você conhecer a vítima ou outros casos de violência, se – como nós – sentir muita indignação, compartilhe esta mensagem e some outros links, outras experiências. A esperança é sensibilizar não só frequentadores para que deixem de sê-lo, mas também os órgãos responsáveis pela fiscalização (SMIC, cadê você agora?).

É, isso mesmo. Ali, naquele bar que tá sempre cheio e que todo mundo conhece.

play

Sim, eu já tive um blog. Que nasceu em 2001 (e está em estado letárgico oficialmente desde 2007). Pra internet isso é uma eternidade, “before Youtube”. A internet era totalmente outra, a dinâmica de como as coisas aconteciam era diferente. Já tinha Google, claro, mas mesmo ele hoje está diferente e maior do que era.

Aqueles blog cresceu, teve seus gloriosos minutos de fama, e superou todas minhas expectativas. Definitivamente teve o seu momento. Mas exigia dedicação e tempo que se alimentava da minha motivação que, para aquele modelo, não tenho mais. Até porque, depois de um certo tempo, aquilo tudo virou um compromisso quase sério.  OK, falando assim parece meio triste, mas ele trouxe inúmeras coisas e pessoas legais, e pra não deixar nenhuma dúvida, ele foi participante de suma importância na complicada sequência de eventos que me levaram à conhece a minha Jojô. Praticamente seis anos, chora concorrência.

Mas esse é outro blog, diferente, sem compromissos nem fortes expectativas. Na verdade minha expectativa única é que seja prazeiroso fazê-lo. Só, e isso já está ótimo.

Eu tenho várias idéias que gostaria de colocar em prática aqui, mas o principal é ter um espaço. Não vou falar sobre elas e deixar tudo acontecer. E que seja “livre por completo de tantas obrigações”.

Ou não.